| NOCTURNOS-I Para Chopin O lençol surpreendido foi desdobrado... Ainda a madrugada respirava No perfil da noite... Eu queria Ver a luz das últimas estrelas... Afastei o reposteiro para olhar o vórtice Do movimento nas artérias do corpo Do Mundo desnutrido... no avesso da cor... Sei que vou vaguear pelas horas... ouvindo Compassados os "Nocturnos" de CHOPIN "Sostenuto... Major... Lento... Andante..." As teclas do piano choram no amordaçar Das lágrimas... que vão atravessar o tempo... Até aos ouvidos atentos... no eurrítmo De um aroma longínquo... Devagar Subo os degraus que me separam do Portal. Os pés nus pairam sobre a passadeira De pinheiros onde se repercute o som e A névoa... do piano há muito fechado... Por dentro de si... com uma chave Inclemente... Que contraria as mãos... Ao longe... sobre o corpo das árvores A música continua quando pára a minha... É a mesma a saltar os abismos... e, Eu já cheguei ao início do Templo. Do peito arranco a rosa amarela... Excessiva... das veredas interiores. Quero acender uma vela por mim... Eu... No início paralelo... ao do Círculo Cósmico Onde bebo as águas uterinas do Éter E misturo a Terra quente do Ventre Eterno Ao relógio tatuado na porta... da equação Do regresso... aos limites do Enigma... "O QUE ESTÁ EM CIMA É IGUAL AO QUE ESTÁ EM BAIXO... O QUE ESTÁ EM BAIXO É IGUAL AO QUE ESTÁ EM CIMA." *Judith Tomaz
Ouvindo: Frédéric Chopin No. 1 in E flat major, op.9 no. 2: Andante *** Para esta tão bela foto Rui!!! Abraço!!! |